quarta-feira, 30 de abril de 2008

Ganhar peso não significa engordar

Por Flavia Schwartzman*

Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Escolha o caminho do meio, planeje uma alimentação rica em nutrientes, controlada em calorias, e relaxe: mulheres saudáveis têm muito mais chances de ter filhos saudáveis. Viver uma gravidez com curvas harmoniosas transcende os cuidados com a beleza. Existe uma forte relação entre o peso da mãe e a saúde do bebê no momento do nascimento. Mas a preocupação com os ponteiros da balança deve começar antes mesmo da concepção. Sem exageros, a saúde do bebê depende, em grande parte, do peso pré-gestacional e, depois, do ganho de peso durante este período. O ideal é que toda a mulher que esteja planejando engravidar faça uma avaliação nutricional para poder planejar, cuidadosa e individualmente, o seu ganho de peso. Se você estiver tentada a pender para um dos lados da balança, é bom saber que mulheres que iniciam a gestação com baixo peso têm mais probabilidade de apresentar complicações no parto, dar à luz bebês prematuros ou com baixo peso. Da mesma maneira, futuras mamães com sobrepeso ou obesidade também correm maior risco de ter complicações na gravidez e no parto, comprometendo a saúde de seu bebê, e de retornar ao peso normal após o parto. Alimentação e placenta Para você ter uma idéia do grau de importância de uma alimentação balanceada (e dos estragos que uma dieta maluca pode provocar), o estado nutricional da mãe, antes da gestação, determinará a qualidade da placenta - responsável pelo transporte do oxigênio e de todos os nutrientes de que o feto necessita. E, para que ele se desenvolva e cresça adequadamente, a placenta também deve ser saudável. Se as reservas nutricionais da mãe estiverem inadequadas durante a fase de desenvolvimento placentário, isto é, durante os primeiros meses, não importa o quanto ela coma depois: o feto não conseguirá receber todos os nutrientes de que precisa. Muitas mulheres se preocupam exageradamente com o fato de engordar nesse período. Mas um adequado ganho de peso durante a gestação é fundamental e necessário para a saúde do bebê e da mãe. A natureza é sábia. Cada quilo de peso ganho já tem o seu destino certo. Inclusive a gordura acumulada tem uma função: ela servirá de fonte de energia para produzir leite durante a fase de amamentação. Se você ganhar peso através de uma alimentação saudável e rica em vitaminas e minerais, você estará formando reservas importantes e nutrindo seu filho, não apenas "engordando". A tabela abaixo mostra como se divide o peso na gestação, em média. Componentes / Ganho de peso (kg) Criança ao nascimento 3,5 kg Placenta 0,5 kg Fluido amniótico 1,0 kg Aumento do útero 1,0 kg Aumento da mama 1,4 kg Aumento do volume sangüíneo (1,5 ml) 1,8 kg Aumento dos fluidos maternos 1,8 kg Reservas de gordura materna 1,8-3,6 kg TOTAL 12,8-14,6 kg Jogo de equilíbrio O ganho de peso da gestante depende de fatores individuais como o peso pré-gestacional, idade, atividade física e se a gravidez é de um único feto ou não. Um ganho de peso insuficiente é tão prejudicial quanto um ganho excessivo. Portanto, qual a recomendação? Se você inicia a gestação com o peso e reservas nutricionais adequadas, deve ganhar de 11 a 14 kg. Durante o primeiro trimestre, o aumento de peso é menor: o feto ainda é muito pequeno e o ganho corresponde mais ao crescimento do útero e ao aumento do volume sangüíneo. Até o final do primeiro trimestre, você deve ganhar de 0,9 a 1,8 kg. A partir daí, são previstos 450 g por semana, o equivalente a 1,8 kg por mês. Numa gravidez planejada, o baixo peso deve ser corrigido antes da concepção. Assim você pode repor o que é necessário e formar as reservas que serão utilizadas durante todo o período de gestação e lactação. Se não houver tempo de engordar, durante a gravidez será preciso aumentar a faixa de ganho para 13 até 18 kg. A compensação do peso também vale para quem estiver com quilos a mais. Nesse caso, é aconselhável perder o excesso antes da gestação. Tudo depende da qualidade da sua dieta. Se você iniciar a gestação com excesso de peso, deverá diminuir a faixa de ganho para 7 até 11 kg, no máximo. Acompanhamento competente Mesmo que você esteja com vários quilos a mais do que era previsto nessa fase da gravidez, risque qualquer idéia que se refira a dieta. Nas últimas semanas, então, nem pense em tentar emagrecer. A restrição calórica pode ser extremamente prejudicial, tanto para o feto que está se desenvolvendo como para a mãe. Procure orientação profissional, do seu obstetra ou de um nutricionista. Ele fará um planejamento individual para que a velocidade de ganho de peso seja um pouco menor. Por outro lado, ganhar menos de 1 kg por mês, durante os últimos dois trimestres, pode levar ao nascimento de uma criança com baixo peso. Além disso, dietas muito restritas geralmente são pobres em nutrientes, justamente o que ambos mais necessitam nesse momento. A restrição calórica também pode levar à formação de corpos cetônicos, substâncias que são prejudiciais para o desenvolvimento neurológico do feto. Adolescentes grávidas, mulheres que praticam muita atividade física, gestantes com gravidez múltipla devem, também, compensar uma possível carência nutricional ganhando mais peso. Sempre, é claro, com qualidade. Independentemente do caso, o acompanhamento deve prosseguir durante toda a gravidez para que padrões anormais de ganho de peso, assim como outras complicações e dúvidas, possam ser identificados e tratados. * Flavia Schwartzman é nutricionista, formada pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, com especialização em Nutrição Materno-Infantil, Mestre em Nutrição pela Escola Paulista de Medicina.

Um comentário:

  1. Passei por aqui,mas, confesso que fiquei com preguiça de ler tudo isso....kkkkkkkkkkkkk
    outra hora eu leio...
    ah! nao tá contando nenhuma novidade de Otto...e como vou encontra-lo mais vezes essa semana, aproveito para mexer bastante com ele...rs
    bj bj

    ResponderExcluir

Obrigada!
Fico muito feliz sempre que leio um comentário carinhoso!
Bjks e fique com Deus!